CETRA participa do 1º Encontro Agrobiodiversidade no Semiárido de 2026 em Recife

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Ao todo, 29 organizações marcam presença no evento que tem duração até sexta-feira, 27 de fevereiro

Por Pedro Mairton

O CETRA participa nesta semana do primeiro Encontro Agrobiodiversidade no Semiárido (Foto: CETRA)

O CETRA participa nesta última semana de fevereiro do primeiro Encontro Agrobiodiversidade no Semiárido. O evento ocorre entre os dias 23 e 27, em Recife, e contou com 29 organizações da Rede ASA – Articulação Semiárido Brasileiro e representantes dos Poderes Públicos municipais, estaduais e federal.

O encontro discute a questão da agrobiodiversidade na perspectiva das políticas públicas e das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) nos respectivos territórios de atuação, tendo como principais pontos a emergência das mudanças climáticas e o enfrentamento do avanço do agronegócio, além do fortalecimento do patrimônio genético das famílias agricultoras.

“Aqui tem um debate super importante sobre o lugar das sementes (crioulas), da agrobiodiversidade, no sentido de valorizar os materiais crioulos e produzidos por agricultoras e agricultores. Aqui vai desde a contaminação à lógica de resgate dos materiais. Esse evento é super importante porque ajuda a ASA na reflexão dessa caminhada, mas também cria ferramentas importantes para isso”, disse Antonio Barbosa, coordenador da AP1MC (Associação Programa Um Milhão de Cisternas) na ASA.

Outra questão discutida foi o fortalecimento do programa Sementes do Semiárido, que será retomado em 2026. O CETRA, assim como as demais organizações (confira a lista de todas abaixo), traçaram estratégias para expandir e reabastecer as casas e os bancos de sementes existentes no Semiárido, além de discutir a atual situação das sementes crioulas, assim como tornar visíveis suas aquisições, multiplicações e distribuição e promover a reflexão do trabalho.

Outros pontos foram abordados e debatidos, entre eles a Política Nacional das Sementes Mudas, a efetividade do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) para a aquisição de sementes no SAB (Semiárido Brasileiro) e a contaminação do milho crioulo, com foco em desenvolver estratégias para conservação.

Além disso, o Encontro Agrobiodiversidade no Semiárido tem o objetivo de envolver as redes na questão da insegurança alimentar e nutricional e de aproximar o Programa Sementes na discussão sobre as sementes animais, o recaatingamento e mudanças climáticas.

O Encontro Agrobiodiversidade no Semiárido tem relevância no cenário político do Semiárido, uma vez que combate o sistema de produção do agronegócio, que contraria os princípios da agroecologia, e fortalece os agroecossistemas alimentares das famílias no Semiárido.

“Esse debate é fundamental porque tem uma estreita relação ao plano brasileiro no combate à desertificação, e a ASA mais uma vez mostra ao Brasil a importância de fazer essa discussão quanto ao enfrentamento às mudanças climáticas, que no Semiárido vão ficando cada vez mais preocupantes, sobretudo na soberania alimentar das famílias que vivem no SAB”, falou Alexandre Pires, diretor do SNPCT do MMA.

Evento contou com colaboradores de 29 instituições (Foto: Carla Galiza/CETRA)

Mesas de conversa

O evento iniciou às 15h de segunda-feira com uma conferência de abertura. Foram marcadas sete mesas de conversa em dois dos cinco dias do encontro.

A primeira mesa de conversa ocorreu na manhã de terça-feira e focou nas contribuições das Redes de Casas e Bancos de Sementes no Semiárido Brasileiro. As duas mesas seguintes, realizadas pela tarde, abordaram a conservação das sementes vegetais e animais e nos programas públicos de abastecimento, como o PAA e outras iniciativas estaduais.

Na quarta-feira, as quatro mesas de conversa finais foram concluídas – confira o tema de cada uma abaixo.

O CETRA, representado por Carla Galiza, coordenadora do programa P1+2, participou da Mesa 4: Pesquisa em Sementes Crioulas e Agrobiodiversidade no SAB: caminhos, acúmulos e desafios.

Na conversa, Carla apresentou a experiência do projeto agroecológico Floresta de Alimentos, realizado pelo CETRA em parceria com a Diaconia e Petrobras, que se dedica à proteção e fortalecimento da agrosociobiodiversidade, além da preservação dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, quilombolas e famílias agricultoras, pescadoras e marisqueiras em municípios do Ceará e Rio Grande do Norte.

“Nesse momento estamos debatendo políticas públicas, estratégias e recursos a serem investidos no campo das sementes crioulas, na preservação e conservação dos materiais genéticos da agrobiodiversidade dos territórios. O CETRA está presente, contribuindo para o debate e trazendo experiências a partir das ações dentro dos nossos territórios”, afirmou Carla.

Carla Galiza apresentou na Mesa 4 a experiência do CETRA com o projeto Floresta de Alimentos (Foto: CETRA)

Terça-feira:

  • Mesa 1: Sementes que Alimentam: Redes de Casas e Bancos de Sementes no Semiárido;
  • Mesa 2: Agrobiodiversidade no Semiárido – Conservação de Sementes Vegetais e Animais: avanços e desafios;
  • Mesa 3: Programas Públicos de Abastecimento e as Redes de Casas e Bancos Comunitários de Sementes.

Quarta-feira:

  • Mesa 4: Pesquisa em Sementes Crioulas e Agrobiodiversidade no SAB: caminhos, acúmulos e desafios;
  • Mesa 5: Cuidar do milho crioulo: contaminação, resgate e conservação;
  • Mesa 6: Redes de Casas e Bancos de Sementes no Recaatingamento e na Adaptação das Mudanças Climáticas;
  • Mesa 7: A Política Nacional de Sementes e Mudas; Semeando Soberania no Semiárido.
O programa Sementes do Semiárido foi retomado em 2026 (Foto: Carla Galiza/CETRA)

Organizações presentes

  • BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
  • CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento)
  • EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
  • Governo Federal da Bahia
  • MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar)
  • MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome)
  • MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima)
  • Projeto Sertão Vivo Ceará
  • SNPCT (Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais)
  • UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco)
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