Feira Agroecológica e Solidária de Fortaleza celebra 10 anos de valorização da cultura alimentar cearense
Por Alice Sousa/CETRA

Toda primeira sexta-feira do mês, a sede do CETRA em Fortaleza abre suas portas e vira um espaço de encontros e afetos com a Feira Agroecológica e Solidária de Fortaleza. Em dezembro de 2025, o CETRA e a Rede de Feiras Agroecológicas e Solidárias do Ceará celebram os 10 anos de existência da feira na capital. A ocasião contou com forró ao vivo, sorteios e a realização de um bingo solidário com consumidores e feirantes.
A Feira de Fortaleza surgiu em 2015, a partir de uma demanda dos/as próprios/as funcionários/as do CETRA lotados na capital. Pela distância entre Fortaleza e os municípios do interior, as/os técnicas/os bem como os/as associados/as que residem na capital cearense, não tinham acesso aos produtos agroecológicos comercializados nas feiras de outros territórios. Então a iniciativa surgiu na perspectiva de proporcionar esse acesso à alimentação saudável, de qualidade e sem veneno aos colaboradores/as, associados/as e amigos/as do CETRA residentes na metrópole.
Tempos depois, a Feira foi aberta para o público externo, possibilitando a aproximação da comunidade do bairro ao redor da sede do CETRA. Um dos principais diferenciais da Feira Agroecológica e Solidária de Fortaleza e que virou uma identidade do evento é o fato de cada banca de produtos trazer o próprio agricultor/a que produz aquele alimento. Então, a família produz e também comercializa, integrando o caminho do alimento desde o plantio até a entrega nas mãos do/a consumidor/a.
Neila Santos, coordenadora-geral do CETRA, reforça que as feiras são muito mais do que espaços de venda. “Nas nossas feiras, além da produção agroecológica, elas sempre são estimuladas a ter os princípios da economia solidária como fundamentais, a partir da ajuda mútua, da autogestão, do preço justo, além da troca de saberes, seja com os/as consumidoras/es mas também são estimuladas trocas entre os próprios agricultores e agricultoras”, explica a coordenadora.
Mais da metade das pessoas que integram a Feira Agroecológica e Solidária de Fortaleza são mulheres. Além de produzirem e comercializarem, elas participam de todas as etapas do alimento até chegar à mesa do consumidor/a. A feira confere às mulheres melhor autoconfiança e autoestima profissional.
Outro ponto que destaca a Feira Agroecológica e Solidária de Fortaleza é a produção agroecológica, que é diferente da produção orgânica. A agroecologia tem como base a diversidade, relação com a natureza de modo equilibrado, respeito à vocação agrícola regional e o uso de sementes tradicionais ou crioulas, como resgate e valorização da cultura alimentar local, abordando aspectos sociais, ambientais e políticos de modo mais sistêmico na relação seres humanos e natureza. Já a produção orgânica tem um foco na substituição dos agroquímicos e fertilizantes sintéticos, muitas vezes é feita com base na monocultura, exploração da mão de obra, bem como os costumes e hábitos locais não são levados em consideração.






A agricultora de Itapipoca Maria de Fátima Pinto da Silva, conhecida como Fafá, revela a alegria de celebrar uma década da Feira em Fortaleza. Ela está presente desde a primeira feira em Fortaleza e é coordenadora da Feira de Itapipoca. “A gente vence várias dificuldades para estar aqui toda 1ª sexta-feira do mês, né? Aqui eu tenho vários clientes, mas também amigos. A gente tem consumidor, que é como se fosse da família da gente”, declara Fafá.
Outro ponto de identidade da Feira Agroecológica e Solidária é a economia solidária, um modelo econômico que se constitui como um modo de organização da produção, comercialização, finanças, trocas de produtos, consumo e serviços. O modelo tem como princípios a autogestão e a cooperação em empreendimentos coletivos, redes e cadeias solidárias articuladas. As feiras são autogestionadas pelos grupos de agricultores e agricultoras agroecológicos que integram a Rede de Feiras Agroecológicas e Solidárias.
Os fundos rotativos são ferramentas utilizadas pelos grupos que integram as feiras com o propósito de colaborar para que as demandas da sustentabilidade do evento mensal funcionem a partir dessa reserva financeira.
Rede de Feiras Agroecológicas e Solidárias do Ceará
Cerca de 150 agricultores compõem a Rede, que nasceu em 2009 a partir de diversas experiências de comercialização e articulação. A Feira de Fortaleza é uma das 15 que compõem a Rede atualmente, que acontecem nos municípios de Sobral, Graça, Senador Sá, Itapipoca, Apuiarés, Tururu, Paracuru, Pentecoste, Pedra Branca e Quixeramobim.
Em 2025, a Rede contou com formações entre os integrantes, abordando precificação do material, rotulagem, beneficiamento e embalagem.


