FLORESTA DE ALIMENTOS PROMOVE FORMAÇÃO DE MULHERES GUARDIÃS DA AGROSOCIOBIODIVERSIDADE; SAIBA TUDO

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Projeto executado pelo CETRA e Diaconia em parceria com a Petrobras visa a valorizar os saberes dos povos originários e do campo, dando protagonismo às mulheres

Por Pedro Mairton

Formação de Mulheres Guardiãs da Agrosociobiodiversidade iniciará no final de agosto (Foto: Fabio Arruda/By Barong)

O Floresta de Alimentos, projeto executado pelo CETRA e Diaconia em parceria com a Petrobras, promoverá a formação de Mulheres Guardiãs da Agrosociobiodiversidade, que será realizada entre os meses de agosto a outubro nos territórios de atuação do projeto, nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte.

A formação é um dos eixos estratégicos do projeto que visa a valorizar e fortalecer os conhecimentos associados ao patrimônio genético existente dentro das comunidades, onde as mulheres (indígenas e de comunidades tradicionais e quilombolas) são as protagonistas em herdar e repassar os saberes para as próximas gerações.

As Mulheres Guardiãs da Agrosociobiodiversidade surge com a proposta de reconhecer, valorizar e visibilizar o papel das mulheres dentro dos territórios de atuação do projeto sob a perspectiva de preservação de ecossistemas, conservação das sementes crioulas, produção de alimentos saudáveis e, por fim, na transmissão dos saberes herdados dos povos tradicionais.

Em meio a isso, o Floresta de Alimentos realizará uma campanha voltada para as oficinas que busca reforçar a narrativa de que as mulheres são as protagonistas em suas comunidades, pois a preservação da biodiversidade inicia a partir de seus quintais e das relações com o meio ambiente construídas dentro de casa com seus familiares, se expandindo para as demais pessoas do território.

Portanto, o objetivo das Mulheres Guardiãs é fortalecer ainda mais o protagonismo das mulheres do campo, indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais, promovendo a valorização de seus conhecimentos quanto a agrosociobiodiversidades e dando maior visibilidade ao seus trabalhos nas comunidades.

Ao todo, serão realizadas 27 oficinas, sendo 17 no Ceará e 10 no Rio Grande do Norte, uma por comunidade atendida no projeto. A primeira ocorrerá no dia 27 de agosto. Cada formação terá carga horária de 8 horas, com 10 vagas para as mulheres do território. Ao todo, serão 270 mulheres diretamente beneficiadas.

Cada oficina contará com 10 mulheres do território onde ocorrerá a formação (Foto: Viviane Mesquita/By Barong)

As formações serão ministradas majoritariamente pelas mulheres da equipe técnica do CETRA e Diaconia, uma vez que possuem conhecimento na área e acumulam experiências no debate de gênero e agroecologia, e elas terão como base os métodos da educação popular, da valorização dos saberes dos povos originários e do campo.

Gema Esmeraldo, atual diretora de políticas institucionais do CETRA, é uma das facilitadoras das oficinas no Ceará e detalhou o que é ser uma mulher guardiã da agrosociobiodiversidade.

“Ser uma guardiã não é só cuidar das plantas, dos animais, do solo. É muito mais! É compreender e se compreender enquanto natureza. Somos seres humanos, mas também somos ecodependentes. Somos dependentes dessa natureza, do ecossistema, da ecologia. Ser guardiã significa estar em natureza”.

Gema Esmeraldo é uma das facilitadoras das oficinas das Mulheres Guardiãs (Foto: Fabio Arruda/By Barong)

Coordenadora técnica da Diaconia no Rio Grande do Norte, Risoneide Lima afirma que as participantes da formação refletirão sobre a importância da mulher no campo, tanto na questão política quanto na conservação de saberes.

“As participantes irão refletir sobre a presença e a contribuição das mulheres nos diferentes espaços dos agroecossistemas, a divisão do trabalho doméstico e de cuidados e os desafios para a construção de relações mais justas no campo, valorizando os quintais agroecológicos como espaços de produção de alimentos, conservação de sementes e espécies, geração de autonomia e cuidado com a vida”, afirmou Risoneide.

Durante a formação das Mulheres Guardiãs, o projeto também prevê um curso de fotografia para as beneficiadas. As imagens registradas por elas serão expostas em museus, universidades, pinacotecas, organizações e entre outros espaços públicos, engajando esses espaços pela luta agroecológica.

Ao final da formação, haverá um intercâmbio no Território Indígena Tremembé da Barra do Mundaú, em Itapipoca-CE, com até 30 mulheres de ambos os estados com o objetivo de promover a troca de experiências sobre as espécies da agrosociobiodiversidade e a importância delas para os ecossistemas, a ancestralidade e os usos para os seres humanos, como medicina, alimentação, processamento, economia e entre outros.

Confira mais detalhes da campanha Mulheres Guardiãs da Agrosociobiodiversidade

A campanha das Mulheres Guardiãs da Agrosociobiodiversidade tem temáticas, objetivos e pilares bem definidos (Foto: Fabio Arruda/By Barong)

O programa das Mulheres Guardiãs da Agrosociobiodiversidade é composto pelas seguintes temáticas:

  1. O papel das mulheres na manutenção da agrosociobiodiversidade.
  2. Segurança, soberania e cultura alimentar na promoção da autonomia e da saúde.
  3. Quintais agroecológicos como estratégia de empoderamento e conservação da agrosociobiodiversidade.

Além disso, a campanha Mulheres Guardiãs visa a:

  1. Fortalecer a identidade das mulheres e ajudá-las a refletir sobre o que elas representam nas comunidades;
  2. Promover o intercâmbio de experiências e incentivar a trocar de sementes e conhecimentos;
  3. Engajar centros educacionais, organizações e demais espaços públicos sobre a importância da conservação da biodiversidade.

Por fim, a campanha tem cinco pilares, que são:

  1. Sementes crioulas

A campanha quer mostrar a atuação das mulheres na conservação, seleção, armazenamento e troca das sementes crioulas, uma vez que são elas as principais responsáveis pela gestão das casas de sementes.

  1. Saberes

Registrar conhecimentos relacionados às plantas alimentícias, medicinais e culturais dentro de seus territórios.

  1. Território

Apresentar a relação das mulheres com a população que vive nos seus territórios, valorizando terras indígenas, assentamentos e as comunidades tradicionais.

  1. Memória

Registrar histórias de vida, tradições familiares e sociais e outras práticas que são transmitidas de uma geração para a outra.

  1. Futuro

Evidenciar como a preservação da biodiversidade contribui para a mitigação e ao enfrentamento das mudanças climáticas, garantindo a segurança alimentar e nutricional das gerações seguintes, a fim de que elas repitam o processo.

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