Intercâmbio: Agricultoras e agricultores do Sertão Central se encantam com Os Doidim dos Mato
Atividade integra o projeto ATER Bem Viver Semiárido, que atende 250 famílias no Sertão Central
Por Rose Serafim

Almoçar salada com urtiga e uma comida toda cozida em fogão ecológico. Usar um banheiro seco. conhecer um sistema agroflorestal. O espaço de vivências permaculturais Os Doidim dos Mato, localizado em Tururu (CE) convida a uma imersão na natureza e nas possibilidades da agroecologia. Na segunda-feira (23), agricultoras e agricultores do Sertão Central participaram de um intercâmbio no espaço. A atividade faz parte dos projetos ATER Bem Viver Semiárido e do Comida de Verdade, pelos quais estão sendo implementados sistemas agroflorestais nas áreas produtivas dessas e desses agricultores.
Segundo Emanuel Lima, coordenador do projeto e do território do Sertão Central pelo CETRA, a proposta é apresentar as e os recém-chegados no mundo das agroflorestas às técnicas já aplicadas nos SAFs cuidados pela Cleomar e Odevandro, autointitulados Os Doidim dos Mato:
“A gente teve esse processo de implementação dos SAFs em estágio inicial, fizemos a implementação agora, e escolhemos ver um estágio mais avançado para que as agricultoras e os agricultores, para além da fala, conseguissem ver os benefícios desse processo de trabalho, dessa forma de produzir”, conta o coordenador.
Além do sistema agroflorestal já evoluído, com árvores nativas com copas altas, muito trabalho de cobertura vegetal e solo adubado, a turma entrou em contato com diversas bioconstruções e tecnologias sociais, além de provarem das Pancs, plantas alimentícias não convencionais ou não colonizadas.

A Maria do Socorro Santos (37), de Quixeramobim, adorou comer mamão verde cozido na salada.
“Gostei bastante do sabor do mamão verde. Eu, sinceramente, jamais ia descobrir que ali tinha mamão verde cozido. Aquela cozinha muito bonitinha, redonda, com reaproveitamento de garrafa, latas, garrafinha Pet”.
A dona Marta (57), de Quixadá, aprendeu mais sobre a importância de cobrir o solo e se surpreendeu com as construções de barro.
“O que me surpreendeu foi o modo de vida, na escuridão, como a gente era antigamente. Isso aí foi o que me deixou mais surpreso. E aquelas tecnologias dele, de barro”, destacou.
Como encontro de agricultoras e agricultores é espaço de trocas, a Maria do Socorro Nascimento (71), de Ibaretama, não perdeu tempo e levou mudinhas novas pra casa.
“Trouxe dois pezinhos de café e cheguei aqui já plantei. Trouxe dois galhinho de amora e já plantei também. Aquele sistema que eles planta e roça o mato e bota no tronco da árvore, tudo pra mim foi maravilhoso”.

Cerca de 35 pessoas, incluindo técnicas e técnicos do CETRA, participaram do intercâmbio em agrofloresta com Os Doidim dos Mato.
O projeto ATER Bem Viver Semiárido é realizado pelo CETRA em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – ANATER e acompanha 250 famílias nos municípios de Quixeramobim, Quixadá, Senador Pompeu, Pedra Branca, Choró e Ibaretama. Destas, 120 foram beneficiadas com o fomento rural no valor de R$ 4.600 divididos em duas parcelas pra serem utilizados dentro das atividades produtivas.


