por Amanda Sampaio

Fotos Amanda Sampaio e Carla Santos

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          Cisterna escolar na Creche Maria Carmelita Teixeira (anexo),

em Sorôrô, Itapipoca (CE)

Das lonjuras de São Paulo chegaram até o município de Itapipoca, no Ceará, Jéssica, Débora, Rafael, Isaac, Osni e Fábio, trabalhadores da empresa Xylem que, através de uma parceria entre Fundação Avina e ASA, contribui com a construção de cisternas escolares no Ceará e na Bahia. Em Itapipoca, serão construídas 13 cisternas escolares frutos da parceria entre Xelym, Fundação Avina, ASA, CETRA e Prefeitura Municipal de Itapipoca. 

Pela manhã de terça (19) o grupo se reuniu na sede do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA) com Telma, representante da Fundação Avina, e parte da equipe técnica do CETRA para aprender sobre convivência com o Semiárido, tecnologias sociais, agricultores/as experimentadores/as e muitas das outras riquezas que habitam no nosso Semiárido. De mansinho, alguém do grupo se reconheceu sertanejo... Era Fábio que nasceu no sertão da Bahia, mas cedo se mudou com os pais para São Paulo. E numa prosa mais casual, achei em Osni uma mãe alagoana. Afinal, um coração nordestino encontra muitos caminhos e dá sempre um jeitinho de alargar suas fronteiras.

A conversa sobre as tecnologias sociais foi animada, em cada explicação muitas perguntas para entender como era essa história de armazenar água. “Estamos discutindo economia a partir da cisterna. Isso é interessante! Investir em cisterna é investir em educação também, por exemplo”, comentou Fábio durante conversa. A prosa corria afiada, mas o melhor momento era ver de perto a realidade. Da cidade de Itapipoca fomos rumo à comunidade de Sorôrô conhecer uma cisterna construída na Creche Maria Carmelita Teixeira (anexo). O grupo pode conversar com seu Francisco, mais conhecido como Birute, que é o responsável por zelar pela cisterna escolar, com Eliane, responsável pela alimentação das crianças, e com Jaqueline e Angélica, respectivamente coordenadora e diretora da Creche. A partir dos depoimentos, o grupo pode entender um pouco mais sobre a relevância de se ter uma cisterna na unidade escolar. “Sem a água tudo para”, esclareceu a diretora Angélica.

De Sorôrô o grupo foi para a comunidade Caldeirões onde acompanhados pela família de Dora, Pessoa e Raílton puderam conhecer um tanque de pedra, armazenador natural de água. Da casa da família até o tanque de pedra foram 15 ou 20 minutos de caminhada, tempo suficiente para o sol do sertão dar mostra da sua potência. Após um saboroso almoço na casa dos agricultores, o grupo seguiu para a Escola João Pires Chaves para acompanhar o curso de Gestão dos Recursos Hídricos (GRH) com professores, gestores escolares e comunidade, além de conhecer na prática o processo de construção da cisterna. No curso, foram ouvidos depoimentos sobre a relevância de se ter uma cisterna na escola como, por exemplo, a não paralização das aulas por conta da falta d’água. O agricultor Raimundo Pessoa, ressaltou a importância do trabalho coletivo para a garantia de direitos. Já para a paulista Jéssica a experiência teve muita relação com persistência e superação. “Se eu fosse descrever essa experiência em uma palavra seria superação. Com todos os obstáculos de clima, para andar no sol... Vimos que as pessoas se mobilizam para viver melhor!”

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Tanque de Pedra na comunidade Caldeirões

Após deixar a comunidade de Caldeirões, o grupo pode ainda conhecer o Espaço de Experimentação Agroecológica, em Itapipoca. No Espaço de Experimentação Agroecológica o grupo pode conhecer o viveiro regional, além de banco de sementes, minhocário e um Sistema Agroeflorestal (SAF), atividades de experimentação agroecológica relacionadas ao projeto Florestação, realizado pelo CETRA com patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental.

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Curso de GRH na Escola João Pires Chaves

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Visita ao Espaço de Experimentação Agroecológica em Itapipoca 


Na manhã de quarta (20) o grupo retornou a comunidade Caldeirões onde, juntamente com os pedreiros Assis e Rodrigo, e os ajudantes Paulo César, Manoel, Edvan e Eliezio, tiveram a oportunidade de ajudar na construção da cisterna. Afinal, como bem lembrou o agricultor Raimundo Pessoa, o importante mesmo é dar a contribuição para tornar o trabalho verdadeiramente coletivo.

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Contribuindo com a construção coletiva da cisterna na Escola João Pires Chaves

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