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Nos últimos dias 18 e 19, 34 agricultores/as que participam do projeto P1+2 BR Petrobrás das cidades de Apuiarés, Miraíma e Itapipoca participaram do intercâmbio Interestadual onde foram até a cidade de Cerro Corá – RN. No roteiro, visitas as comunidades Serra de Santana e Serra Preta, além de um breve encontro com o corpo administrativo do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Cerro Corá, que já completa 52 anos atuando na luta dos trabalhadores rurais. O grupo de agricultores foi acompanhado por 2 técnicos do CETRA.

curraisA primeira visita, na manhã do dia 19, foi a Serra de Santana, onde a turma foi recebida por representantes do STTR de Cerro Corá e Francivaldo e sua esposa Josefa, agricultores que a partir dali levariam o grupo para conhecer algumas experiências exitosas, a visita inicial foi a tapiocaria, que já é tradição na família de Francivaldo, vindo desde seus bisavôs. Na visita os agricultores puderam conhecer a história da tapiocaria, de como um produto típico e de qualidade vira uma ótima alternativa de comercialização que deu tão certo que hoje, Josefa já inova produzindo tapiocas recheadas, entre os sabores: leite de coco, manteiga, carne de sol, galinha caipira, presunto, leite condensado, ressaltando que a inovação é fruto da disposição de ambos com a ajuda do SEBRAE e SEAPAC (Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários).

Após a visita na tapiocaria o casal de agricultores conduziu o grupo até o museu da fam[ilia, onde eles colecionam peças antigas, tradicionais do Nordeste que retratem a história do povo sertanejo. São utensílios, equipamentos e ferramentas utilizadas no dia a dia do agricultor, além de equipamentos ligados a casa de farinha. Entre os objetos que mais chamaram atenção dos visitantes temos televisão preto e branco, lamparinas de vários tipos, máquina de costura, balanças, cambito, mata formiga, bodó (utilizado pra caçar prear, pássaros, etc...), prensa de mandioca, dentre outros objetos. Francivaldo mostra um carinho especial em conservar esse espaço para preservar a memória de seu povo.

O quintal de Francivaldo é farto e com as chuvas que começaram a cair nos últimos dias, as plantas começaram a exibir seu verde. A família tem uma cisterna calçadão que já estava com uma boa quantidade de água, em seu quintal era possível identificar algumas espécies frutíferas, hortaliças, medicinais, além das arbóreas, destaque para o mamão, goiaba, pinha (ata), caju, coqueiro, siriguela, acerola, maracujá, cebolinha, coentro, alface, hortelã, capim santo, erva doce, e grandes quantidades de algaroba e cajueiro.

currais1Depois de conhecer a experiência de Francivaldo e Josefa e ter feito uma breve visita ao STTR de Cerro Corá, porém, no caminho, o grupo percebeu a grande quantidade barreiros trincheira em algumas propriedades, durante a viagem Damião, do SEAPAC, explicou sobre a construção dessa tecnologia, assim como suas vantagens. Após a conversa grupo se dirigiu até a comunidade Serra Preta, onde foram recebidos por Dona Teresinha, agricultora simples, batalhadora, que nos mostrou a barragem subterrânea que ela tem em sua propriedade. Com a chegada das primeiras chuvas, nota-se que a água já começa acumular no subsolo. A barragem tem cerca 3,7m de profundidade com um poço de 4m. O técnico Canindé, da SEAPAC explicou o método de construção da barragem, salientando as vantagens e benefícios, aliada a disposição de D. Teresinha em realizar as práticas de manejo orientadas pelos técnicos, evitando que a barragem possa ser levada pela água da chuva.

Por fim o grupo fez uma rápida avaliação da viagem e as trocas de experiências com esses agricultores. Puderam conhecer diversas tecnologias sociais de acesso à água e de como essas ações contribuem para a lógica de convivência com o semiárido.

Por Alexandre Greco e colaboração de Emanuel Sousa - CETRA

 

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