Na última quarta-feira, 7 de dezembro, foram apresentados, no evento “Feiras Agroecológicas: Resultados de Pesquisa”, as conclusões do estudo realizado nos municípios do Ceará sobre o processo de organização e de produção nas feiras agroecológicas. A pesquisa foi desenvolvida numa parceria entre o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) e o Núcleo de Economia Solidária da Universidade Federal de Pernambuco (NECSO-UFPE).
Buscando abordar a origem, o funcionamento, as práticas solidárias, a capacidade de gestão administrativa e financeira desses produtores e seu histórico ocupacional e de renda, os professores Tarcísio de Araújo, Roberto Alves Lima (UFPE) e Junior Macambira (IDT) contaram com a presença de agricultores que participaram do estudo e da coordenação do CETRA, dentre outros, na platéia de apresentação.
Os professores explicaram que o estudo foi desenvolvido dentro do contexto de preocupação recente com a economia limpa e o chamado desenvolvimento sustentável, além de uma crescente demanda de mercado na qual se destaca a preferência dos consumidores por produtos de mais qualidade, embora a produção ainda seja pequena, não alcançando 3% da área agrícola total do mundo segundo a IFOAM.
Nas pesquisas realizadas no território Vales do Curu e Aracatiaçu, constatou-se que a média de idade dos feirantes girava em torno dos 50 anos, sendo em boa parte (entre metade ou um pouco mais) mulheres. O maior grau de escolaridade encontrado foi o ensino fundamental. Geralmente os agricultores, em processo de transição agroecológica, tiram cerca de 20% da renada familiar a partir da venda de produtos naturais e beneficiados nas Feiras.
Vale destacar que a construção das Feiras Agroecológicas, além do espaço de comercialização, é também um resgate cultural desse espaço e resultado do processo de organização social dos agricultores e agricultoras, incentivando as relações de solidariedade e entre produtores e consumidores, numa troca e construção de conhecimento coletivo.

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