Na última sexta-feira, 9 de dezembro, o Ponta Mar Hotel hospedeu uma atividade diferente. Ele estava recebendo os seminários e oficinas da I Feira de Economia Feminista e Solidária do Ceará. Mulheres trabalhadoras rurais e pessoas da comissão organizadora, entre organizações da sociedade civil e a Prefeitura Municipal de Fortaleza ocuparam as salas para fazer debates sobre o papel da mulher no meio rural e nas relações sociais.
Dentre as oficinas voltadas para comercialização solidária, acesso ao crédito e organização, uma se voltou para uma temática que envolve elementos mais subjetivos: divisão sexual do trabalho. “As desigualdades enfrentadas pelas mulheres tem sido sustentada pelos valores machistas e pela cultura desenvolvida a partir desses valores”, explica Eliane Rocha, zootecnista e técnica do CETRA responsável pela oficina. Ela ainda explica que “essas questões, por mais que sejam discutidas pelos movimentos e ONG’s, ainda continuam se expressando em todas as dimensões da vida: na família,na sexualidade, na escola, na política e sempre a partir de uma relação de poder e posse dos homens sobre as mulheres”.
Rosângela Moura, secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará (FETRAECE), retifica o que Eliane já havia dito e ainda destaca que o estado brasileiro também ainda tem que assumir sua responsabilidade, citando como exemplo a não-adesão à Convenção 156 elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), na qual está previsto o papel do Estado em criar mecanismos para que os homens também tenham como responsabilidade o cuidado com a família.
Foram marcantes também os depoimentos das agricultoras sobre suas vivências, suas dificuldades em superar o machismo e as experiências em conquistar a autonomia e como isso se relfetiu dentro de casa e nas relações pessoais. Se o machismo é cultural, a superação dele também trabalha inúmeras questões subjetivas.

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