Mulheres agricultoras de seis territórios se encontram em Fortaleza desde ontem e até sábado, 11 de dezembro, para participar da I Feira da Economia Feminista e Solidária do Ceará. A Feira é resultado de um acúmulo da organização das mulheres do campo e da socioeconomia solidária e é uma construção da Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF) com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), via Assessoria Especial em Gênero, Raça e Etnia (AEGRE), e instituições que historicamente desenvolvem trabalho com mulheres, como a Marcha Mundial das Mulheres, o Elo Feminista, a FETRAECE e o CETRA.

Margarida Pinheiro, assistente social e sócia-fundadora do CETRA (além de representante da instituição na organização da Feira),  que sempre desenvolveu o trabalho de gênero do Centro coloca que historicamente a mulher rural vive na invisibilidade embora sempre tenha trabalhado e isso de a mulher rural produzir e comercializar é coisa da última década, o que permite à mulher assumir um novo papel dentro da família e dentro da comunidade, como autonomia política e econômica. “Antes a mulher tinha que pedir ao marido para ir para a reunião do grupo. Hoje ela vai. E a autonomia econômica quebra a relação de dependência, a mulher complementa a renda familiar, e aumenta a auto-estima”.

“A socioeconomia solidária se agrega à socioeconomia feminista e isso é estratégico, para dar visibilidade ao trabalho das mulheres, elas como sujeito político e econômico”, explica Raquel Viana, coordenadora  da Coordanadoria de Políticas Públicas para Mulheres da PMF. Ela acrescenta que esta Feira se diferencia pela parte formativa, os seminários e oficinas, que aprofundam as discussões sobre o papel da mulher como produtora e qual o papel do Estado nisso.

Iolanda Martins Alves é agricultora e veio comercializar sua produção na Feira Feminista. Ela, por ser mulher, acha que é um espaço fundamental para que possam mostrar seus trabalhos, mostrar que não só os homens tem produção. Além disso, ressalta a importância dos espaços de formação, como as oficinas, que oferecem capacitação para que possam melhorar ainda mais.

A assistente social Suyane Fernandes, coordenadora do CETRA no Território Vales do Curu e Aracatiaçu, diz que a feira abre um espaço de exposição dos produtos da agricultura familiar, além de fazer a discussão sobre a importância da organização social e produtiva das mulheres, além de ser um reconhecimento para a instituição de que trabalha a questão de gênero a nível de estado. “Como dentro do território o CETRA faz parte do comitê setorial de mulheres, a participação na feira favorece levar as discussões, encaminhamentos e resultados para o território”, acrescenta.

O espaço de comercialização da Feira Feminista fica montado no Centro Cultural Dragão do Mar até sábado a noite.

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