Entre os dias 9 e 11 de novembro aconteceu em Itapipoca o VI Encontro Territorial de Agroecologia, uma articulação entre a Rede de Agricultores/as Agroecológicos/as e Solidários/as de Itapipoca, o Fórum Microrregional pela Vida no Semiárido de Itapipoca e o Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA). O encontro reuniu quase 200 participantes, sendo em sua maioria agricultores vindos de diversos municípios do território Vales do Curu e Aracatiaçu e alguns do Sertão Central e Sobral, além de técnicos das instituições.

O debate central desse ano foi a questão de gênero, sob o tema “Vivendo Agroecologia e Construindo Relações Igualitárias de Gênero no Meio Rural”. O encontro  foi logo no primeiro dia contemplado com um painel temático com os relatos de três agricultoras em processo de transição agroecológica, Zeza, Fafá e Alzirene,  e Beth, do Fórum Cearense de Mulheres, que uniu teoria e prática lançando do debate do empoderamento feminino a partir dessas atividades e considerando que agroecologia não é só mudar as relações entre ser humano e meio ambiente, mas também entre as pessoas.

Trocar experiências e construir conhecimentos coletivamente são dois dos principais objetivos do ETA e este foi muito bem contemplado em dois momentos: primeiro nos carrosséis, que, numa dinâmica de giro, permitiu aos grupos conhecer brevemente três diferentes processos agroecológicos e solidários numa mesma tarde. Depois, nos intercâmbios, que durante todo o segundo dia de encontro levou os participantes para comunidades; lá, foram vistas e sentidas diversas nuances das experiências.

Um dos destaques do Encontro este ano foi a realização das oficinas na própria comunidade, o que enriqueceu muito o processo. Os intercambistas, assim, tiveram a oportunidade de vivenciar  e aprender na prática uma ação agroecológica que era desenvolvida naquele local. Por exemplo, as pessoas que foram visitar o quintal produtivo da Zeza aprenderam com ela a fazer cosméticos do mel que ela colhe em seu apiário e assim podem levar esse conhecimento para suas próprias unidades produtivas.

O último dia do Encontro Territorial de Agroecologia fechou um ciclo de discussões, trocas e atividades culturais. Foi aprovada a carta política do VI ETA, construída nos marcos dos debates do Encontro, destacando a questão de gênero e a importância de construir relações mais solidárias, além de reforças a agroecologia como caminho para convivência com o semiárido. Os encontristas, então, levaram isso para as ruas da cidade em um grande e colorido cortejo, encerrando o aqueles dias com uma grande ciranda na Praça da Matriz.

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