O Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador – CETRA foi agraciado na última segunda, 5 de dezembro, com homenagem da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará em virtude do seu trigésimo aniversário como reconhecimento por sua histórica atuação no semiárido cearense, do final da década de 1970 até hoje.

Nesta sessão, requerida pelo deputado Dedé Teixeira (PT-CE), também foram homenageadas pela Assembléia cinco pessoas que tiveram papel fundamental nessa trajetória: Margarida e Antônio Pinheiro, sócios-fundadores, o sindicalista José Mendes, agricultor que participou  das primeiras conquistas de terra, Nair Soares ex-presidente da instituição e Antônio Pereira Neto, conhecido como Cazuza, agricultor e atual presidente do CETRA.
O artista popular Zé Vicente, a ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenelle, o professor Manfredo de Oliveira, o agricultor Sebastião Inácio dos Anjos, in memorian, e a Articulação do Semiárido Brasileiro também serão homenageados, mas pela Medalha Manuel Veríssimo, criada pelo CETRA em 2006 para celebrar os caminhos e histórias de pessoas, instituições e movimentos sociais que contribuíram e contribuem com a luta pela terra no estado e no trabalho de reconstruir o semiárido cearense como um espaço cheio de possibilidades

Contando um pouco dessa história…

O CETRA é oficialmente fundado em 1981, mas o trabalho de assessoria jurídica com comunidades em conflito de terras havia começado já há alguns anos. A primeira conquista veio um tempo depois, no emblemático caso da fazenda Monte Castelo, em 1983, que teve em sua trajetória a morte de quatro homens, inclusive o lavrador Manuel Veríssimo. Fazendo par com a ação jurídica, tanto para comunidades como para sindicatos, sempre esteve também o trabalho de mulheres, isso em um tempo no qual a auto-organização surgia como novidade pós-ditadura.
Na década de 1990, a instituição entende que é necessário também trabalhar a terra conquistada e começa a desenvolver ações de assessoria técnica rural junto aos agricultores e agricultoras. No início dos anos 2000 a convivência com o semiárido entra na pauta e vão surgindo os projetos de cisternas – até hoje já foram construídas mais de 18 mil -, de produção agroecológica e de socioeconomia solidária – atuação na qual a instituição é destaque até hoje, orientando inúmeras famílias camponesas a melhorar sua qualidade de vida no meio rural cearense.

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