Carta do Cetra e da Rede de Agricultores dos Vales do Curu e Aracatiaçu, em apoio aos povos da etinia Tremembé, das vilas de São José e Buriti, em Itapipoca.

          carta tremembé 

                                                                                               Foto: Amanda Sampaio

           

O IX Encontro Territorial de Agroecologia – ETA é um evento de participação, celebração e construção de conhecimentos e envolve diversos atores sociais e políticos. Reúne forças, sentimentos e energias para avançar nesses processos de construção coletiva, de saberes e trocas da prática agroecológica essenciais para uma nova forma de pensar o futuro e o sonhado desenvolvimento agrário desde a agricultura familiar, pautado na economia e na comercialização solidária e nas demais práticas que visam um mundo justo, humano, solidário e democrático.

Somos agricultores e agricultoras trilhando os caminhos da  agroecologia, seja em avançado processo de transição, seja dando os primeiros passos nesse caminho. Para a pessoa ser efetivamente militante da agroecologia, defender seus princípios e praticas, é necessário, sobretudo, buscar mais conhecimentos sobre suas origens históricas de modo a contribuir para um mundo digno onde homens e mulheres estejam conectados com a natureza de forma harmoniosa, cuidando dos recursos que ela nos oferece para uma vida saudável e segura.  

Este espaço é igualmente um espaço de resistência política, onde manifestamos livremente nosso desejo de uma vida boa e prazerosa, nossa alegria por estarmos juntos nessa jornada e também nossa indignação com a injustiça. A injustiça que corre solta contra as famílias mais empobrecidas pela concentração da riqueza – os meios de produção [terra, crédito, informação, equipamentos e até dos recursos naturais].

 Uma injustiça que estava camuflada há alguns anos, reaparece agora, com a mesma arrogância e prepotência do capital nacional e estrangeiro, ameaçando o Povo Tremembé do Sítio São José/Buriti em Itapipoca.  Há mais de uma década o Projeto Turístico Nova Atlântida, que representa várias bandeiras e se propõe ocupar toda área dos indígenas, é uma ameaça a esse povo há anos vem sofrendo seguidos ataques por conta do dito projeto.

                  Somos militantes de agroecológicos. Somos militantes políticos. Somos homens e mulheres engajados na luta por justiça, por liberdades democráticas, por uma vida de qualidade e temos clareza de que  isso é possível a partir de uma reforma política, que renove o congresso nacional e permita a participação social.  Só seremos uma sociedade livre quando a terra for repartida de forma justa e democrática, com a reforma agrária, com a demarcação das terras indígenas e quilombolas. Portanto, manifestamos aqui, nosso repúdio e indignação ao grupo empresarial de coordena o Projeto Nova Atlântida e essa ação contra o povo Tremembé de Buriti/São José. Manifestamos, pois, nosso apoio irrestrito a companheiras e companheiros que estão ameaçadas pelas mãos do capitalismo especulativo do turismo internacional e nos colocamos à disposição para, de forma direta e presente, apoiarmos essa luta que é justa e é de todos nós.

 

Avante companheiras e companheiros!

A justiça será feita, pois juntos vamos lutar por ela!

VejaTambém