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Nos dias 09, 10 e 11 de setembro aconteceu o encontro nacional de comunicação da ASA com a temática “Comunicação popular e comunitária no Semiárido”. O evento reuniu comunicadores populares de 10 estados: Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Cerca de 180 pessoas reunidas na cidade de Gravatá, Pernambuco.

O hotel se encheu da diversidade típica do Semiárido, eram negros, indígenas, brancos, caboclos, gente da cidade, gente do campo, todos articulados, se conhecendo e reconhecendo na construção de uma comunicação popular e comunitária, encarada como compromisso político pela convivência com o Semiárido.

Na mística de abertura, cada estado pode trazer um pouco de sua cultura popular, através de músicas e danças, além dos produtos típicos de cada estado; rapaduras, cachaças, queijos e demais sabores da terra. O Ceará levou seu Maracatu em plenos pulmões:

“Me leva meu bem, me leva pro Maracatu”

Após o almoço aconteceu o debate sobre comunicação popular e comunitária, com a professora da Universidade Metodista de São Paulo, Cecília Peruzzo e o membro da coordenação executiva da ASA, Naidison Baptista. A professora trouxe alguns elementos conceituais importantes para o entendimento sobre comunicação popular como a importância de encarar a comunicação popular como um lugar de militância “é a comunicação como um compromisso com o povo” afirma a professora Cecília Peruzzo.

Durante sua fala a professora também trouxe a experiência da rádio comunitária FM Esperança, no interior do Piauí, onde uma comunidade construiu sua própria rádio e a partir dela passou a não apenas ouvir o que vem do mundo, mas contribuir levando sua realidade para outras pessoas. Por fim a professora fez questão de lembrar que a comunicação popular sempre deve vir próxima a educação informal, a valorização dos artistas locais, busca por autonomia e liberdade.

DSC 0191Após a fala da professora, Naidison trouxe alguns posicionamentos importantes sobre a ação estratégica da comunicação da ASA, além de provocar o debate acerca da polarização agricultura famíliar e agronegócio como projetos em disputa “de um lado o projeto de inclusão, na comunicação, no direito a terra, na preservação das culturas tradicionais, na preservação do meio ambiente, de outro a exclusão, que existe e é contra tudo que refletimos” explica Naidison.

Outras pautas foram levantadas pelo membro da coordenação executiva da ASA como a democratização da água e o compromisso da comunicação popular com isso, apresentar-se como suporte para a comunicação entre agricultores fortalecendo seus processos e um olhar mais cuidadoso com os candeeiros (boletins informativos do programa uma terra e duas águas) e com os intercâmbios como processos de comunicação também.

Depois das falas abriu-se para o debate e muitos participantes puderam expor suas opiniões e reforçar o compromisso com uma comunicação popular engajada, pautada em estratégias mais colaborativas, ampliando as antenas e buscando atingir mais pessoas.

No segundo dia a manhã foi voltada para as oficinas, foram diversas temáticas apresentadas e debatidas entre os grupos. Entre os eixos, redes sociais, rádio, stencil, fotografia, comunicação indígena e etnomídia, apropriação de novas tecnologias e produção colaborativa, todas com atores importantes na jornada por uma comunicação popular ativa como a Marcha Mundial de Mulheres, Rádio Amnésia, Grupo de Comunicação Yandê, Gambiarra Imagens, Rede Mocambos entre outros.

Após a manhã de troca de experiências e descoberta de diversas formas de expressão e articulação entorno da comunicação, a tarde chegou marcada pelo debate acerca do contexto atual, desafios e perspectivas da comunicação da ASA, quem conduziu o processo foi Valquíria Lima, da coordenação executiva da ASA, que falou sobre resistência, construção do conhecimento e convivência com o Semiárido expondo o desafio de transformar o tema não apenas em política de governo, mas política de estado.

Depois das falas dos comunicadores foi possível encaminhar alguns nortes para os encontros estaduais que virão em breve, diretrizes de conteúdo e forma, primeiro debatido entre grupos mistos, com comunicadores de diversos estados, e no último dia, com os estados reunidos separadamente, dando seguimento as propostas. Quando os estados fizeram avaliação houve a mística de encerramento congregando os estados através de cartas que um estado entregava a outro. A bela mística de encerramento carimbou aquele momento histórico para as pessoas envolvidas em uma comunicação popular forte, ampliando a resistência e fortalecendo a convivência!

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