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Texto e fotos: Thiberio Azevedo

Manhã de muito sol, e os jovens que estão hospedados na sede rural do Caatinga, em Ouricuri, viajam até o município vizinho, Santa Filomena, para conhecer as praticas de convivência com o semiárido da comunidade de Santa Fé, Pernambuco.

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Lá, o grupo foi acolhido na Associação de Moradores. Os mais velhos puxaram da memória a história da comunidade, contada com o orgulho de quem,  bem antes de se falar em agroecologia por lá, já cuidava bem da terra. “Nunca usamos droga (agrotóxicos) nesse sítio! Parecíamos indígenas, nossa convivência com a natureza, sempre existiu. Hoje é que quem chega quer usar agrotóxicos, mas mesmo assim nós vamos lá conversamos”, nos conta dona Mariana, chamada pelos amigos de Nenzinha.

A comunidade é formada por cerca de 15 famílias, foi fundada pelo avô de dona Nenzinha, como sítio Santa Fé. Ele foi um dos chamados voluntários da guerra do Paraguai, grupo de homens que foi reunido dos sertões de Pernambuco e Piauí, para essa guerra. Ao retornar a região, ele não se estabeleceu em Ouricuri, preferiu se afastar e criar sua família, em um local mais distante.

Outro fato interessante que o grupo conheceu sobre a comunidade foi o Tanque de Pedra, que ninguém lembra ao certo quando foi construído, sabem sim que foi anterior a contribuição da Igreja Católica, com as pastorais sociais, na década de 1980. O interessante, é que nesses três anos de seca foi esse tanque, que eles chamam de Barragem do Batata, quem proveu água para consumo doméstico de toda a comunidade.

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O grupo conheceu os irmãos Givanildo, Gerçonildo e Gecel Alvez Sobrinho, jovens que tem lutado para reafirmar suas raízes sertanejas e que tem orgulho de se identificar como agricultores. Givanildo é presidente da Associação de Produtores Agroecológicos do Araripe (pernambucano), a Eco Arararipe.

Ele mostrou a sua plantação em consórcio de algodão, feijão, milho e gergelin. A associação firmou contrato em 2011 para venda de algodão orgânico com uma empresa francesa, o seu produto foi inclusive considerado a fibra mais forte do Nordeste. É com certa tristeza que ele nos fala dos dois anos de seca, que vieram em sequência e que impossibilitaram os negócios, mas com a força de quem nunca desiste ele mostrou sua plantação cheio de esperança.

Gerçonildo é presidente da Associação de Agricultores de Santa Fé, e faz questão de dizer que é agricultor, apesar de ter também o ofício de cabeleireiro. “Não sou agricultor que todo ano tá plantando, mas sou por que sou de família agricultora e a gente nunca perde as origens”, afirma. Ele trabalha quatro dias da semana como cabeleireiro e nos outros dias ajuda na plantação da família.

Gecel Alves é técnico agropecuário, e já trabalhou, inclusive na Associação Caatinga, mas saiu, agora, para estudar o curso superior em Agroecologia. Os irmãos já fizeram parte do grupo de jovens da comunidade, que hoje se encontra desativado, devido às inconstâncias da vida, muitos se casam outros vão estudar ou trabalhar em outros municípios, mas o que muitos deles tem em comum, é nunca perder as raízes camponesas, como nos conta dona Nenzinha, ao relatar sobre jovens que vão estudar ou trabalhar fora, mas que continuam na área do campo. “Isso e motivo de orgulho pra gente, não é perda, não”.

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