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13/03/14

A casa de Seu Vilamar e de Dona Maria de Lourdes estava arrumada quando chegou a comitiva de representantes de governos de países africanos para conhecer as estratégias de convivência com o Semiárido de sua comunidade. O casal, muito acolhedor, preparou um almoço para receber os visitantes e fez questão de servi-los, antes de mostrar sua tecnologia social.

O grupo veio ao Brasil com o propósito de conhecer os programas de transferência de renda do país, tais como o Bolsa Família, e aproveitou pra conhecer as tecnologias sociais utilizadas no semiárido brasileiro, para captação de água. “Muitos desses países começaram Programas de Transferência Monetária, alguns são piloto e outros estão em expansão, mas, pelo nível de pobreza desses países, os governos querem potencializar a produção dos agricultores”, explica Bénédicte de La Brière, do escritório do Banco Mundial, em Washington.

A região escolhida para a visita das Tecnologias Sociais, no Ceará, foi a dos Vales do Curu e Aracatiaçu, na qual o CETRA tem realizado seu trabalho. “No Brasil, há uma relação muito forte entre sociedade civil e governos, e nós queríamos mostrar como o estado pode fazer parcerias a nível central e local”, conclui Bénédicte. O grupo foi divido em três e visitou os municípios de Itapipoca, Canindé e Pentecoste.

Neste último município, eles puderam conhecer a Cisterna de Enxurrada, da família do Seu Vilamar e da Dona Lurdes, e a Barreiro Trincheira, da família de Dona Dejane. Os agricultores e agricultoras que moram na Comunidade de Extrema mostram com felicidade suas tecnologias sociais cheias de água e seu quintal cheio de verde. “Esse ano a nossa cisterna já sangrou três vezes, mas ela é ligada a uma cacimba e sangra lá dentro, o que nos ajuda a aproveitar bem a água”, comenta Dona Lurdes.

Fabiana Ikeda, assistente técnica do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), fala sobre a importância dessas visitas, “foi bastante proveitoso para todos. Talvez eles (os africanos) nem esperassem (realizar as visitas), pois eles vieram pra cá conhecer alternativas anteriores à inclusão produtiva”.

Nas visitas, os africanos de países como Malawi, Uganda, Senegal e Moçambique, tiraram suas dúvidas sobre todo o processo pré e pós implantação das tecnologias sociais, com a explicação dos agricultores e dos técnicos do CETRA. Também estavam presente, representantes do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pentecoste, da Secretaria de Ação Social de Pentecoste, do Governo do Estado do Ceará e UNICEF.

Oliva Faite, Chefe do Departamento de Assistência Social, do Instituto Nacional de Ação Social, que é ligado ao Ministério da Mulher e da Ação Social de Moçambique, ficou surpresa com o uso das Tecnologias Sociais. “É preciso ver a pobreza de acordo com as desigualdades sociais de cada região, e no Semiárido criaram algo específico para essa população”.

 

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