Texto: Francisco Barbosa

Fotos: Francisco Barbosa

Entre os dias 30, 31 de agosto e 1º de setembro, o CETRA realizou o I Módulo do Curso de Agroecologia com o povo Tremembé da Barra do Mundaú (Itapipoca/CE). A programação contou com coleta e preparo de sementes para o plantio, intercâmbio de experiência, visita ao viveiro (espaço de experimentação agroecológica) e produção de mudas. Essa é a segunda turma do Curso que faz parte dos trabalhos desenvolvidos pelo CETRA por meio do Projeto Ação Tremembé.

 

Segundo Luís Eduardo, da coordenação técnica do CETRA e facilitador do Módulo, as atividades realizadas durante os três dias tiveram como objetivo possibilitar o aprendizado em agroecologia e manejo sustentável dos agroecossistemas. “Com isso, se prevê o fortalecimento da relação do Povo Tremembé com a natureza, com a identidade indígena, com as espécies nativas de múltiplos usos para a Aldeia e do manejo sustentável dos seus agroecossistemas”, diz.

 

No primeiro dia, Samuel Nascimento de Castro, morador da aldeia Buriti do Meio e um dos participantes da primeira turma do curso, falou um pouco sobre as experiências adquiridas durante os módulos que participou, com isso, houve debate sobre o que as/os presentes iriam ver durante a realização do curso. Ao final da sua fala, Samuel Castro apresentou para a nova turma um mapa com informações sobre a terra indígena do povo Tremembé. O objetivo, de acordo com ele, foi mostrar as belezas naturais do local como o mangue, a mata, os sítios arqueológicos e os locais "encantados", onde, segundo ele, são espaços importantes para valorização da identidade e cultura indígena.

 

A programação seguiu com debate sobre o surgimento da agricultura e sobre o que é a agroecologia. As atividades foram finalizadas com coleta e preparo de sementes para serem plantadas.

No segundo dia, as/os participantes visitaram a área do casal Odevandro Nogueira Fernandes e Maria Cleomar Barbosa Martins, localizada na comunidade Serrotinho, em Itapipoca. Lá, todos e todas tiveram a oportunidade de conhecer experiências em agroecologia como espiral de ervas, reuso de águas cinza, banheiro seco interno e externo, Sistema Agroflorestal (SAF), horta alternativa e galinheiro.

 

O agricultor, Felisberto Manuel Neto, 66, morador da aldeia Munguba, foi uma das surpresas do curso. Por conta de alguns compromissos pessoais ele informou, logo no primeiro dia, que não poderia participar do intercâmbio. Mas, no decorrer da formação ele mudou de ideia e marcou presença na atividade. Questionado sobre a mudança ele apenas respondeu: “Eu vi que ia ser uma atividade muito boa e que eu poderia aprender muito com o pessoal. Eu me perguntei: ‘Se eu não viesse hoje, quando seria a próxima chance? ’. Ah, meu filho. Aqui tá sendo ótimo, só tenho o que agradecer aos conhecimentos que estamos recebendo da família que abriu as portas pra receber a gente”, afirma.

No último dia, a turma visitou o espaço de experimentações agroecológicas do CETRA. No local, eles/elas puderam ver de perto a produção de mudas e o preparo da terra para receber as mudas e/ou as sementes.

 

Essa é a segunda turma do Curso em Agroecologia do projeto Ação Tremembé que também realiza formações em “Arte, Comunicação e Inclusão Digital” e “Direitos Humanos”. O projeto Ação Tremembé é uma realização do CETRA com financiamento da União Europeia.

 


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