Texto Francisco Barbosa

Foto Francisco Barbosa e Arquivo da Comunidade do Batoque

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Sabe aqueles momentos que, de tão especiais, você deseja que nunca acabe? Pois é o que acontece quando se conhece a história da Comunidade Quilombola de Batoque, no município de Pacujá, localizado na microrregião de Sobral. Sua história teve início com a chegada de Joaquim Rodrigues Cordeiro, vindo de outro país, comprado como escravo e que, em Batoque, depois de anos de trabalho e, a partir do momento que começa a receber dinheiro pela sua mão de obra, consegue, com esforço, guardar dinheiro para comprar um pedaço de terra onde se estabeleceu e construiu uma grande família juntamente com a sua segunda esposa, Maria do Espirito Santo.


Teonilia do Nascimento Cordeiro, 34, agricultora e uma das lideranças da Associação Comunitária dos Remanescentes de Quilombo Rural de Batoque, diz que há vários anos que as moradoras e os moradores do local se reconhecem como negros e negras de Batoque devido a sua história e suas raízes, mas somente em 2015 a comunidade foi certificada pela Fundação Cultural Palmares como Quilombo. “Esse certificado veio para afirmar aquilo que já sabíamos, mas veio, principalmente, para provar para os outros de onde viemos e o que somos”, fala com orgulho.


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Antigas lideranças influenciam as novas e, assim, a força dos negros e das negras de Batoque vão se renovando. O sr. Inácio Raimundo do Nascimento, 82, por exemplo, foi uma das primeiras pessoas a sair da comunidade e ir para outros municípios para participar de eventos afim de compartilhar conhecimento. “Comecei a minha história de luta aos trinta e cinco anos e o que me fez sair foi a necessidade. Necessidade de trazer desenvolvimento para a comunidade”, e continua. “Agora quem vai continuar a luta são esses jovens de hoje”.


Prova de que os jovens continuarão a luta é a universitária, Janayna do Nascimento Cordeiro, 20, que atualmente é uma das coordenadoras do grupo de jovens que surgiu em 1994. “Durante os nossos encontros debatemos com os jovens temas como religião, violência, racismo, preconceito entre outros. Procuramos movimentar a nossa comunidade com varias atividades relacionadas a arte e a cultura, mas também realizamos ações sociais como um mutirão de limpeza que fizemos aqui”, afirma.


Com o passar do tempo, algumas atividades tradicionais foram deixando de ser realizadas e, com isso, elas foram perdendo força como é o caso da produção de louça de barro, os reisados e a brincadeira de Leroá. Em contrapartida, outra tradição foi ganhando cada vez mais destaque: a capoeira. “A nossa capoeira reúne adultos e jovens não só daqui, mas de outros municípios também. A gente até brinca dizendo que a capoeira se tornou uma espécie de conselho tutelar porque é um espaço dos jovens trocarem ideias e experiências entre si e, claro, manter a tradição viva”, diz a professora, Joseli do Nascimento Cordeiro, 26.

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Joseli do Nascimento é formada em História e foi uma das primeiras moradoras de Batoque a concluir o ensino superior, mas mais jovens estão seguindo pelo mesmo caminho. “Hoje já temos jovens formados e outros cursando o ensino superior, coisa que há dez anos não se via por aqui. As coisas estão mudando aos poucos, mas ainda há muito que melhorar e, para isso, vamos continuar lutando pelos nossos direitos”, afirma Teonilia do Nascimento.


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